Na Esclerose Múltipla, a perda de mielina (desmielinização) leva a interferência na transmissão dos impulsos e isto produz os diversos sintomas da doença. É importante atentarmos que a mielina esta presente em todo sistema nervoso central, por isto qualquer região do mesmo pode ser acometida e o tipo de sintoma esta diretamente relacionada.
Os axônios sofrem danos variáveis, em consequência do processo inflamatório, o que culmina com o decorrer do tempo com acúmulo de incapacitações neurológicas. Os pontos de inflamação, desmielinização, evoluem para resolução com formação de cicatriz. Esta não apresenta a mesma função do tecido original (é a placa, esclerose significa cicatriz), mas é a forma que o organismo lança mão para curar a inflamação, só que com isto perdemos função tecidual (“a cicatriz como testemunha”) que aparecem em diferentes momentos e zonas do sistema nervoso central.
Os pacientes podem se recuperar clinicamente total ou parcialmente dos ataques individuais de desmielinização, produzindo-se o curso clássico da doença, ou seja, surtos e remissões.
Os dados obtidos em pesquisas realizadas e atualmente disponíveis podem oferecer o diagnóstico clínico e laboratorial, mas ainda em alguns casos podem ser insuficientes para definir de imediato se a pessoa é ou não portadora de esclerose múltipla, uma vez que os sintomas se assemelham a outros tipos de doenças neurológicas. Nestes casos a confirmação diagnostica pode levar mais tempo.
•Áreas do cérebro cerebelo, tronco encefálico e da medula espinhal são afetadas pela inflamação e posterior aparecimento de cicatrizes (escleroses).
• Os sintomas podem ser leves, moderados ou intensos e surgem e de maneira imprevisível.
NEURO REABILITAÇÃO
FISIOTERAPIA
Trata das diversas sequelas deixadas pela EM como: distúrbios de equilíbrio, força muscular, coordenação motora – empregando exercícios corretivos, alongamentos e técnicas específicas para o atendimento à pessoa com esclerose múltipla.
São utilizadas técnicas e instrumentos específicos para cada pessoa ou tratamento para auxiliar o desenvolvimento das habilidades motoras e promover a redução das consequências da doença e propiciar a qualidade de vida. O profissional de fisioterapia ensina exercícios para evitar perda de tônus muscular, para o alívio de dores, para promover correções da postura e estimular a expansão respiratória e de circulação sanguínea.
Orienta cuidadores de pacientes para realizarem exercícios físicos ou mesmo na manipulação de aparelhos mais simples, que ajudem na reabilitação e possam ser feitos em casa. Controla o registro de dados, analisa o resultado do tratamento e elaborar boletins que demonstram estatisticamente a condição da pessoa e a resposta de tratamento.
FONOAUDIOLOGIA
A Fonoaudiologia é a ciência que tem como objeto de estudo a comunicação humana, no que se refere ao seu desenvolvimento, aperfeiçoamento, distúrbios e diferenças, em relação aos aspectos envolvidos na função auditiva periférica e central, na função vestibular, na função cognitiva, na linguagem oral e escrita, na fala, na fluência, na voz, nas funções orofaciais e na deglutição (Código de Ética da Fonoaudiologia, 2004).
O fonoaudiólogo é um profissional que atua em prevenção, avaliação, reabilitação e pesquisas. É importante lembrar que o fonoaudiólogo não trabalha somente com crianças - como muita gente imagina - ele atende também gestantes, bebês, adolescentes, adultos e pessoas idosas com ou sem doenças neurológicas.
O fonoaudiólogo identifica problemas ou deficiências ligadas à comunicação oral, empregando técnicas próprias de avaliação e fazendo o treinamento fonético, auditivo, de dicção, empostação da voz e outros, para possibilitar o aperfeiçoamento e/ou reabilitação da fala.
As alterações fonoaudiológicas na Esclerose Múltipla estão concentradas nas áreas de voz, articulação e deglutição (ato de engolir), podendo estar nas seguintes formas:
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Fala – articulação imprecisa dos sons, cansaço ao falar;
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Voz – rouca soprosa, monótona e com intensidade (volume) reduzida, áspera e forçada, nasalizada;
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Deglutição – dificuldade na mastigação dos alimentos, engasgos, tosses ou pigarros, acúmulo de saliva ou seu espessamento.
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São realizados exames fonéticos, de linguagem, dos aspectos motores da fala, dos órgãos fono articulatórios e da deglutição, para que se possa estabelecer o diagnóstico e tratamento.
Após a avaliação fonoaudiológica, o paciente com EM é encaminhado para atendimento terapêutico, individual ou em grupo.
ENFERMAGEM
A Enfermagem é compreendida como a arte e a ciência de pessoas que convivem e cuidam de outras. Uma profissão dinâmica sujeita a transformações permanentes e que está continuamente incorporando reflexões sobre novos temas, problemas e ações, por que seu princípio ético é o de manter ou restaurar a dignidade das pessoas em todos os âmbitos da vida.
O enfermeiro é atende o paciente (indivíduo, família e comunidade) em suas necessidades básicas, planejando suas ações para promover a assistência, a recuperação, capacitando-o, sempre que possível ao auto cuidado, o que contribuirá para a integridade de sua estrutura humana, seu desenvolvimento bio-psico-sócio-espiritual, buscando o equilíbrio no bem estar dentro das limitações impostas pela esclerose múltipla.
O profissional de enfermagem tem a responsabilidade de auxiliar no desenvolvimento do auto cuidado nos pacientes e orientar os familiares/cuidadores, sempre que possível, levando-os a perceberem sua responsabilidade na reabilitação e recuperação do paciente.
A Esclerose Múltipla é uma doença neurológica que afeta diversas funções, mas, apesar disso as pessoas com EM podem levar uma vida ativa e adotar uma atitude positiva em relação a ela. Cabe a enfermagem detectar, através de avaliações, os riscos potenciais para algumas doenças e fornecer orientações necessárias para prevenção e controle das mesmas.
A enfermagem como função fazer curativos e imobilizações especiais, administrando medicamentos e tratamentos prescritos. A enfermagem realiza atendimento individualizado e especializado ao paciente, ouvido as queixas, identificando as necessidades e providenciando o atendimento adequado.
NUTRIÇÃO
A alimentação é um dos fatores primordiais para a promoção, manutenção ou recuperação da saúde.
Para a pessoa com EM, uma dieta equilibrada contribuirá para o aumento da resistência frente à infecções intercorrentes, além de melhorar de uma forma geral sua qualidade de vida.
O setor de Nutrição, realiza-se uma avaliação do estado nutricional global, do paciente buscando detectar problemas que possam interferir na dieta (condições econômicas, meio de vida, entre outros.)
É recomendável a redução do consumo de alimentos que contenham gordura saturada e aconselha-se o consumo regular de alimentos de origem vegetal, como frutas, verduras, legumes e vegetais folhosos. Alimentos ricos em fibras, como cereais e pães integrais também devem ser ingeridos em quantidades adequadas, pois ajudam a melhorar as funções intestinais (prisão de ventre), queixa frequente de pessoas com EM.
PSICOLOGIA
O adoecimento é um processo que acomete o organismo como um todo e está correlacionado a vários fatores intrínsecos e extrínsecos (físicos, biológicos, emocionais, ambientais, culturais, entre outros).
As pessoas são diferentes umas das outras em relação ao comportamento, atitudes, anseios, entre outros, inclusive, como realizam o enfrentamento do adoecimento. Por isso a orientação sobre as características emocionais e comportamentais, se tornam imprescindíveis para a compreensão de si mesmo e do paciente.
O psicólogo realiza avaliação psicológica por intermédio de testes psicológicos validados no Brasil e orienta para o desenvolvimento e aprimoramento bio-psicossocial.
NEUROPSICOLOGIA
Pacientes com Esclerose Múltipla têm apresentado déficits de cognição como: atenção, concentração, aprendizagem, memória e funções executivas (flexibilidade mental, planejamento e decisão). Os déficits cognitivos (neuropsicológicos) são, na sua maioria, resultantes da localização e extensão das placas no SNC (Sistema Nervoso Central) especificamente no cérebro. A memória é uma das funções neuropsicológica mais comprometida na EM, porque afeta importantes áreas cerebrais correlatas. Por intermédio da avaliação neuropsicológica, pode-se fazer um planejamento de intervenção para reabilitação das funções cognitivas e, dessa forma, proporcionar uma melhor qualidade de vida a pessoa com EM.
A limitação física e o tempo da doença concorrem para o comprometimento dos processos intelectuais. O desempenho intelectual pode ser influenciado por medicamentos e alterações emocionais e de humor.
A neuropsicologia realiza avaliação com o auxílio de testes específicos para detectar os déficits das funções cognitivas, tais como: atenção, concentração, memória, linguagem, praxias e funções executivas, além de elaborar programas de prevenção e tratamento.
TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL
Psicologia comportamental cognitiva restabelece o equilíbrio emocional, que podem agravar os sintomas da E.M., diminuindo assim as sequelas.
A EM pode trazer transtornos psicológicos e psiquiátricos significativos.
Um dos aspectos psicológicos mais notável, no atendimento clínico, é a percepção que o indivíduo tem da sua própria doença em sua vida.
O objetivo da Terapia Cognitiva Comportamental é ajudar o paciente a mudar suas crenças e pensamentos sobre si mesmo e a doença, para ter comportamentos mais adaptativos e adequados com relação a todos os aspectos da vida.
TERAPIA OCUPACIONAL
A Terapeuta Ocupacional dedica-se ao tratamento, desenvolvimento e reabilitação do paciente com EM, promovendo atividades com fins específicos a fim de restaurar e reforçar a sua atuação, facilitando a aprendizagem de habilidades e funções essenciais para sua adaptação e produtividade, promovendo a manutenção da saúde.
A Terapia Ocupacional tem como objetivos: planejar trabalhos individuais ou em pequenos grupos, como trabalhos criativos, manuais, de mecanografia e outros, estabelecendo tarefas de acordo com o problema de cada um, para possibilitar a redução e correção das deficiências do paciente; promover a independência nas atividades da vida diária; incentivar o retorno às atividades abandonadas; estimular descobertas de novas habilidades; preservar a capacidade cognitiva, além de dar oportunidade de expressão de sentimentos, atitudes e ideias através da execução de atividades, criando uma relação tríade – terapeuta-paciente-atividade.
TERAPIA FUNCIONAL
Na Terapia Funcional há um envolvimento entre estes dois profissionais que atuam juntos no tratamento direto ao paciente. Após realizar um programa de reabilitação de 3 meses de duração, o paciente que tiver a necessidade de treinar uma função em especial, principalmente no que diz respeito às atividades básicas do dia a dia, é encaminhado para a Terapia Funcional pela Fisioterapia ou pela Terapia Ocupacional.
É realizada uma avaliação inicial, contendo dados fisioterapêuticos e também da TO. É feito um questionamento quanto à queixa funcional do paciente e é verificado como esta função é realizada, para se identificar os problemas e também os potenciais do indivíduo.
Na Terapia Funcional, juntos, TO, fisioterapeuta e paciente selecionam uma função específica para ser trabalhada por um período pré-determinado, levando-se em consideração todo o potencial que o paciente possui.
A ênfase não reside em utilizar o exercício terapêutico e as atividades para alterar um determinado número de deficiências, mas sim em utilizar a intervenção para melhorar a função e reduzir uma incapacidade que seja significativa para o indivíduo ao qual são indicados os serviços de Fisioterapia e TO.
Em vez de considerar “qual exercício pode ser prescrito para amenizar uma deficiência”, os terapeutas consideram quais deficiências estão relacionadas a uma função reduzida e a incapacidades e qual exercício pode aprimorar a função para combater as deficiências.
As funções mais escolhidas para serem treinadas são: escrita; alimentação; transferências; funcionalidade em geral dos mmss (membros superiores); calçar meia/sapato; vestuário; alcance; funcionalidade dos mmss em pé; resistência para guiar volante do carro; lavar louça; cuidados higiênicos pessoais; preparo de alimentos; atenção durante a marcha; ajoelhar; impulsão da cadeira de rodas; troca de papagaio
Cada vez mais se fala em trabalho interdisciplinar com os portadores de Esclerose Múltipla. Com a Terapia Funcional percebemos que este trabalho é essencial não só para o paciente como também para os profissionais que se interrelacionam. A soma dos conhecimentos vêm acrescentar à reabilitação do portador, sem confrontar as idéias dos profissionais.
A fisioterapia e a TO se integram, para fornecer o melhor estímulo para o paciente. Esta visão em conjunto, direcionada à funcionalidade do indivíduo, enriquece a terapia. Os resultados obtidos são muito favoráveis, onde pessoas portadoras da EM há mais de 15 anos conseguiram, após grande tempo de estabilização ou piora, readquirir uma função ou melhorar a execução da mesma.
OPÇÕES DE TRATAMENTO
Embora não exista a cura para a Esclerose Múltipla, há tratamentos que visam reduzir surtos e assim o acúmulo de incapacidade com o tempo. A definição da melhor terapia depende da forma de manifestação da EM. A indicação é feita pelo neurologista. Quanto antes iniciar o tratamento pode-se:
- ■ Reduzir a inflamação;
- ■ Reduzir a lesão do axônio;
- ■ Reduzir a exacerbação clínica;
- ■ Reduzir a progressão com o tempo.
Além da medicação para a EM, existem medicamentos que buscam aliviar os sintomas como a dor, dormência, urgência urinaria, fadiga, entre outros.
Cada sintoma deve ser discutido com o neurologista a fim de viabilizar a melhor conduta e orientação.
OS BENEFÍCIOS DO TRATAMENTO PRECOCE NA E.M.
Adultos jovens que tiveram uma síndrome clinicamente isolada, e que tem um tipo de ressonância nuclear magnética cerebral, com determinadas alterações detectadas, pode ter um risco muito elevado de desenvolver esclerose múltipla. Os testes clínicos demonstraram que as pessoas respondem melhor quando são tratadas com medicamentos para EM.
Quando uma pessoa com esclerose múltipla tem uma primeira síndrome clinicamente isolada, a doença já atacou o cérebro por algum tempo. O processo é comparado com a uma locomotiva rolando morro abaixo. Uma vez iniciada a resposta auto-imune, é quase como um trem passando por cima do topo de uma colina. Você terá um tempo muito mais fácil de diminuir a velocidade no início de seu curso, quando mais tarde o ritmo começa a ficar fora de controle.
Colocar um freio na locomotiva de E.M. fora de controle, significa tomar uma medicação. Diminuirão ou até desaparecerão lesões novas.