sexta-feira, 29 de abril de 2016

WOLFF-PARKINSON-WHITE: SINTOMAS, CAUSAS E TRATAMENTO




Nesse artigo vamos explicar o que é síndrome de Wolff-Parkinson-White, quais são as suas causas, os seus sintomas, seus riscos e quais são as opções de tratamento existentes.

O QUE É A SÍNDROME DE WOLFF-PARKINSON-WHITE

Para entender a síndrome de Wolff-Parkinson-White é preciso antes conhecer os aspectos básicos da condução da eletricidade pelo coração.
O coração é órgão autônomo, que não só funciona à base de eletricidade, como é capaz de produzir a sua própria energia elétrica. As contrações dos músculos cardíacos, responsáveis pelo bombeamento do sangue, são geradas por impulsos elétricos, que são transmitidos de forma sequencial ao longo do coração. Cada vez que as fibras dos músculos cardíacos rebem uma descarga elétrica, elas desenvolvem uma contração.
Reparem agora na imagem ao lado. nodo sinoatrial ou nodo sinusal, que fica localizada no ápice do átrio direito. O nodo sinusal gera impulsos elétricos de forma ritmada, que são transportados ao longo de todo o coração de modo a manter o batimento cardíaco regular.
O que podemos chamar de gerador de eletricidade do coração é uma estrutura denominada
Cada impulso elétrico gerado no sino sinusal é transportado através de fibras especializadas até o nodo atrioventricular (nodo AV), que fica localizado na divisão entre os átrios e os ventrículos. Ao chegar no nodo AV, o impulso elétrico sofre um discreto retardamento, que serve para que os átrios se contraiam antes dos ventrículos. No nodo atrioventricular, após alguns milissegundos de espera, o impulso elétrico é transmitido para os dois ventrículos através do feixe de His e dasfibras de Purkinje. A chegada do impulso elétrico faz com que os músculos dos ventrículos se contraiam e bombeiem o sangue presente dentro das suas cavidades. Cada impulso elétrico demora 0,19 segundo para percorrer todo o coração. Ao longo de 1 minuto, o nodo sinusal geral entre 60 e 100 impulsos elétricos, o que corresponde ao número habitual de batimentos cardíacos por minuto.
No coração sadio, os átrios e ventrículos são isolados eletricamente, a única via de passagem do impulso elétrico é o nodo atrioventricular. Os pacientes portadores da síndrome de Wolff-Parkinson-White nascem com uma anomalia anatômica que gera uma via elétrica acessória, o que acaba com o isolamento elétrico e permite a 

passagem de impulsos elétricos extras entre átrios e ventrículos.

Essa via elétrica extra é habitualmente um minúsculo buraquinho, do diâmetro de um fio de cabelo, entre o átrio e ventrículo. Essa via anômala pode permitir a passagem do impulso elétrico em ambas as direções: do átrio para o ventrículo ou do ventrículo para o átrio, como exemplificado na ilustração acima.
A síndrome de Wolff-Parkinson-White gera taquicardias (coração acelerado) de duas formas:
1- Quando há uma via anômala, o impulso elétrico gerado no nodo sinusal segue dois caminhos em direção aos ventrículos: o habitual, que passa pelo nodo AV, e o anômalo, que passa pela via extra. Como o impulso que passa pela via extra não sofre retardamento, ele acaba chegando aos ventrículos milissegundos antes dos impulsos elétricos que passam pelo nodo AV. Isso pode criar uma atividade elétrica caótica, que leva à taquicardia.
2- O impulso elétrico pode fazer o caminho inverso, isto é, ele passa normalmente pelo nodo AV, chega aos ventrículos, mas, em vez de ser interrompido no final dos ventrículos, ele consegue voltar ao átrio pela via acessória. Esse processo de reentrância da atividade elétrica também cria uma atividade elétrica caótica, pois o nodo AV passar a receber dois impulsos elétricos em curto espaço de tempo, um vindo do nodo sinusal e outro pela via acessória.

SINTOMAS DA SÍNDROME DE WOLFF-PARKINSON-WHITE

Nem todos os pacientes que nascem com uma via elétrica extra apresentam a síndrome de WPW, pois nem sempre essa via anômala causa taquiarritmias (arritmias com coração acelerado). Muitos pacientes só descobrem que têm Wolff-Parkinson-White quando fazem um eletrocardiograma de rotina. Por isso, é importante fazer a distinção entre os pacientes que têm a via anômala, mas são assintomáticos, daqueles que têm a via anômala e apresentam sintomas.
Quando o paciente tem a via anômala e alterações no eletrocardiograma, mas não apresenta sintomas, dizemos que ele tem um padrão de Wolff-Parkinson-White. Por outro lado, se o paciente tiver uma via anômala e sintomas, dizemos que ele tem a síndrome de Wolff-Parkinson-White.
O padrão de Wolff-Parkinson-White é um problema que acomete 1 em cada 1000 pessoas, ou seja, 0,1% da população. Entre esses, cerca de metade desenvolve sintomas, como taquiarritmias.
Apesar de ser um defeito de nascença, a maioria dos pacientes que acaba por desenvolver arritmias o faz somente depois dos 10 anos de idade. Muitos deles somente depois dos 20 anos. Há também os casos de pacientes com sintomas de Wolff-Parkinson-White que ao longo dos anos tornam-se assintomáticos, por correção espontânea da via anômala.
Os sintomas da síndrome de Wolff-Parkinson-White ocorrem habitualmente como consequência da taquiarritmia. 

São eles:
  • Palpitações
  • Tontura
  • Desmaio
  • Sensação de fraqueza.
  • Baixa tolerância ao esforço físico.
  • Ansiedade.
  • Dor no peito 
  • Falta de ar
Os episódios de taquiarritmia podem começar subitamente e durar alguns segundos ou várias horas. Os sintomas podem ser desencadeados por exercício físico, cafeína, substâncias estimulantes ou álcool.
Em 10 a 30% dos casos de síndrome de Wolff-Parkinson-White, a arritmia presente é a fibrilação atrial, assunto já explicado no artigo: FIBRILAÇÃO ATRIAL – Sintomas, Causas e Tratamento.
Raramente, a síndrome de Wolff-Parkinson-White pode causar morte súbita por arritmia maligna.

TRATAMENTO DA SÍNDROME DE WOLFF-PARKINSON-WHITE

A maioria das pessoas assintomáticas, que possuem apenas o padrão Wolff-Parkinson-White no eletrocardiograma, não necessita de tratamento. A maior parte não irá desenvolver sintomas e, em alguns casos, a condução através da via acessória pode até desaparecer espontaneamente com o passar dos anos.
No entanto, os pacientes assintomáticos que tenham uma ocupação de alto risco ou sejam atletas profissionais são aconselhados a passar por testes adicionais, incluindo testes eletrofisiológicos, para determinar se a via acessória tem características que podem estar associadas a um maior risco de morte súbita.
Nos pacientes que procuram ajuda médica devido aos sintomas de taquiarritmia, o tratamento é dividido em 2 fases:
1- Interrupção da arritmia.
2- Prevenção de novos episódios de arritmias.
A interrupção da arritmia é feita habitualmente com medicamentos por via intravenosa. Se não houver controle da arritmia com os fármacos, a cardioversão elétrica (descarga elétrica no coração através de pás encostadas no tórax) é a opção indicada.
Após o controle da arritmia, o paciente deve ser encaminhado para um especialista em eletrofisiologia cardíaca para que ele possa decidir a melhor forma de prevenir novos episódios de taquiarritmias.
A ablação por radiofrequência costuma ser a opção mais utilizada para eliminar a via acessória. Na ablação por radiofrequência, um fino e flexível cateter é inseridos através dos vasos sanguíneos para o seu coração. Na ponta do cateter há eletrodos que são aquecidos é conseguem destruir a via elétrica extra. A ablação por radiofrequência é eficaz em até 95% das pessoas com síndrome de Wolff-Parkinson-White.
Nos 5% de pacientes nos quais a ablação falha, a via extra pode ser destruída através de cirurgia cardíaca.

Fonte bibliográfica:
Todo conteúdo desta publicação foi retirado do link: http://www.mdsaude.com/2016/03/sindrome-wolff-parkinson-white.html

quinta-feira, 28 de abril de 2016

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA: CAUSAS E SINTOMAS


O coração é um órgão composto basicamente por músculos, sendo responsável pelo bombeamento de sangue para todos os tecidos. Podemos dizer que o coração é o motor do nosso corpo.
O coração humano tem 4 câmaras: os ventrículo esquerdo e direito, e os átrios esquerdo e direito. Os ventrículos são as cavidades maiores e mais musculosas, sendo as mais importantes no bombeamento do sangue para o corpo.
Para entender o que é a insuficiência cardíaca, é preciso primeiro saber como funciona o coração.
Acompanhe o texto a seguir com a imagem fornecida  abaixo.
Os tecidos recebem o sangue de onde retiram o oxigênio. O sangue agora pobre em oxigênio volta para o coração pelas veias, chega no lado direito do coração, entra no átrio direito, depois no ventrículo direito e é finalmente bombeado para o pulmão. No pulmão o sangue volta a ficar rico em oxigênio. Esse sangue re-oxigenado vai para o lado esquerdo do coração, cai primeiro no átrio e depois no ventrículo esquerdo, de onde será bombeado de volta para os tecidos , reiniciando o ciclo.

Portanto, o coração direito é responsável pelo retorno do sangue para os pulmões e coração esquerdo pelo bombeamento de sangue para os tecidos.
A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração não consegue mais desempenhar uma ou ambas funções eficientemente. A insuficiência cardíaca pode então ser do coração esquerdo, direito ou de ambos. Os sintomas variam de acordo com a câmara do coração acometida.

COMO ENTÃO SURGE A INSUFICIÊNCIA CARDÍACA?

Como eu já disse, o coração é composto basicamente de músculos. A principal causa de insuficiência cardíaca é a isquemia cardíaca ou o infarto do miocárdio. Infarto significa morte tecidual, que no caso do coração se refere a parte do músculo cardíaco. Logo, quanto mais extenso for o infarto, mais músculo morrerá, consequentemente, mais fraco fica o coração. Se o infarto necrosar uma grande área, o paciente morre por falência da bomba cardíaca.
Outra causa comum de insuficiência cardíaca é a hipertensão não tratada. Quando o paciente apresenta uma pressão arterial elevada, o coração precisa fazer mais força para vencer essa resistência e distribuir o sangue pelo corpo. Como todo músculo quando exposto a um estresse, a parede dos ventrículos começa a crescer e ficar mais forte. É a hipertrofia cardíaca. O que parece algo bom, na verdade é a fase precoce de uma insuficiência cardíaca. A hipertrofia do coração que ocorre na hipertensão é diferente daquela que ocorre nos atletas que possuem o coração mais forte.
Reparem na figura abaixo que o coração hipertrofiado pela hipertensão apresenta as paredes mais grossas e consequentemente menos espaço para o ventrículo se encher de sangue. Apesar de estar mais musculoso, o coração se enche menos e por isso bombeia menos sangue a cada batida (sístole). Essa é a fase de insuficiência cardíaca diastólica, ou seja, o coração não consegue se encher na diástole, período de relaxamento do coração que ocorre entre as sístoles (contrações cardíacas).
Se a hipertensão não for tratada, o coração continua a sofrer até o ponto em que não consegue mais se hipertrofiar. Imaginem um elástico que você puxa o tempo todo. Uma hora ele acaba por perder sua elasticidade e fica frouxo. É mais ou menos isso que ocorre com o coração. Depois de muito tempo sofrendo estresse o músculo cardíaco começa a se estirar e o coração fica dilatado.
Temos nesse momento um músculo que tem pouca capacidade de contração e um coração que já não consegue bombear o sangue adequadamente. O órgão se torna grande e insuficiente.

Como quem manda o sangue para o corpo é o ventrículo esquerdo, ele é quem mais sofre com as pressões arteriais elevadas. Quando realizamos um ecocardiograma o primeiro sinal de sofrimento cardíaco pela hipertensão é a hipertrofia do ventrículo esquerdo ou insuficiência cardíaca diastólica. Essa é a fase da insuficiência cardíaca que ainda tem cura se tratada.
Outra causa comum de insuficiência cardíaca são as doenças das válvulas do coração. Sempre que uma válvula cardíaca apresenta alguma alteração, seja congênita, ou adquirida durante a vida (endocardite, febre reumática, calcificação das válvulas, etc.), o coração começa a ter dificuldades em bombear o sangue, iniciando-se o processo de dilatação semelhante ao da hipertensão.
Existem várias outras doenças que causam insuficiência cardíaca, quase todas se encaixam em um dos exemplos acima de isquemia/lesão muscular/estresse cardíaco. São elas:
  • Tabagismo 
  • Diabetes
  • Obesidade
  • Alcoolismo
  • Anemia crônica 
  • Uso de drogas
  • Doenças autoimunes como Lúpus
  • HIV / SIDA (AIDS) 
  • Amiloidose
  • Sarcoidose
  • Infecções virais
  • Doenças pulmonares
  • Embolia pulmonar

SINTOMAS DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

Os sintomas da insuficiência cardíaca dependem da câmara mais afetada e da gravidade do quadro. A disfunção do coração é na maioria das vezes um quadro progressivo e lento.
A insuficiência do ventrículo esquerdo se manifesta com sintomas da baixo débito de sangue para o corpo. O principal é a fraqueza e o cansaço aos esforços. Nas fases avançadas da insuficiência cardíaca, o paciente pode se cansar com tarefas simples como tomar banho e pentear o cabelo.
Outro sintoma típico é a falta de ar ao deitar. A incapacidade de bombear o sangue para os tecidos, causa um acúmulo do mesmo nos pulmões. É como se fosse um congestionamento. O sangue que sai dos pulmões não consegue chegar eficientemente ao coração porque esse não consegue bombear o sangue que já se encontra dentro dele. Esse lentidão no fluxo pulmonar causa extravasamento chamado de congestão pulmonar. Em casos graves desenvolve-se o edema pulmonar. O edema do pulmão é uma urgência médica, onde o paciente literalmente se afoga fora d’água, podendo morrer se não receber tratamento a tempo.
Quando deitamos, o sangue que está nas pernas não sofre mais a resistência da gravidade e chega mais facilmente ao coração e pulmão. Se temos um coração esquerdo insuficiente e aumentamos a quantidade de sangue que chega ao pulmão, favorecemos a congestão pulmonar. Por isso, muitos doentes com insuficiência cardíaca não toleram ficar muito tempo deitado. Alguns precisam dormir com mais de 1 travesseiro para manter sempre o tronco mais alto que o resto do corpo. Chamamos esta fase de insuficiência cardíaca congestiva.
Quando o coração esquerdo começa a não conseguir bombear o sangue eficientemente para os órgãos, os rins interpretam isso como uma queda no volume de sangue do corpo e começam a reter água e sal para tentar encher as artérias. O resultado final é um excesso de água no organismo que se traduz com o aparecimento de edemas (inchaços), principalmente nas pernas.
O baixo débito de sangue para os órgãos pode levar insuficiência renal e hepática (fígado).
Se houver um insuficiência do coração direito associado, esses edemas são ainda maiores, pois além do excesso de água, o ventrículo direito não consegue fazer com que o sangue das pernas chegue aos pulmões. Ocorre então um grande represamento de sangue nos membros inferiores e grandes inchaços. Dependendo do grau de disfunção cardíaca, pode haver edemas até a barriga, chamado de ascite.
A imagem típica da insuficiência cardíaca grave é a do doente com inchaços nas pernas, cansado mesmo em repouso, com tosse e expectoração esbranquiçada (congestão pulmonar) e intolerância ao decúbito (não consegue deitar).
Corações dilatados também apresentam distúrbios na condução elétrica e são mais susceptíveis a arritmias. Uma das consequências pode ser a morte súbita por fibrilação ventricular (arritmia maligna).

DIAGNÓSTICO DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

Quadros de insuficiência cardíaca avançada são facilmente perceptíveis através do exame físico do paciente, pois os sintomas são muito típicos: cansaço aos esforços, edema dos membros inferiores, intolerância a ficar muito tempo deitado, e uma auscultação pulmonar que revela líquido nos alvéolos são achados muito sugestivos de insuficiência cardíaca.
Em geral, a confirmação do diagnóstico é feita através de exames de imagens. A radiografia de tórax é um exame simples, que pode mostrar a existência de um coração dilatado. Nas radiografias ao lado, podemos ver um coração normal à esquerda e um coração insuficiente e dilatado à direita.
Porém, o melhor exame para confirmar a existência de uma insuficiência cardíaca é o ecocardiograma, uma espécie de ultrassom do coração, que é capaz de fornecer várias informações sobre a estrutura cardíaca e o seu grau de funcionamento.

TRATAMENTO DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

O tratamento é feito com restrição de sal, diuréticos e anti-hipertensivos, principalmente os da classe dos inibidores da ECA ou antagonistas dos receptores da angiotensina II. Medicamentos que aumentam a força cardíaca, como a digoxina, podem ser úteis para amenizar os sintomas nos casos mais graves.
Obesos devem emagrecer, fumantes têm que largar o cigarro, álcool deve ser evitado e exercícios supervisionados para reabilitação cardíaca são indicados. A pressão arterial deve ser controlada com rigor.
Nos casos terminais a única solução é o transplante cardíaco. Por isso, o melhor tratamento ainda é a prevenção.


Fonte bibliográfica:
Todo conteúdo desta publicação foi retirado do link: http://www.mdsaude.com/2009/02/insuficiencia-cardiaca.html

terça-feira, 26 de abril de 2016

PALPITAÇÕES, TAQUICARDIA E ARRITMIAS CARDÍACAS



Palpitação é o nome que se dá a percepção dos batimentos cardíacos, normalmente com desconforto e sensação de que estes batimentos estão irregulares. O nosso coração, quando estamos em repouso, realiza entre 60 e 100 batimentos por minuto. São, portanto, em média, 4.800 batimentos por hora e 115.200 batimentos por dia.


Exceto quando nos exercitamos, não sentimos os nossos batimentos cardíacos. Na verdade nem nos damos conta que temos uma bomba funcionando ininterruptamente dentro do nosso peito, colocando o sangue para circular.

A palpitação é exatamente uma anormal consciência do batimento do coração quando estamos em repouso. Normalmente o paciente se queixa de que o coração está acelerado, que sente os batimentos na garganta, ou ainda, que o coração vai sair pela boca. Normalmente estão associadas a mal estar, cansaço aos pequenos esforços, falta de ar, e às vezes, dor no peito. Se a palpitação ocorrer por uma arritmia, é possível até ocorrer desmaios.

Algumas pessoas quando estão deitadas com o lado esquerdo para baixo, podem sentir os batimentos cardíacos normais sem que isso possa ser chamado de palpitação.

Como foi descrito acima, a frequência cardíaca normal varia entre 60 e 100 batimentos por minutos (bpm). Quando o coração está com mais de 100 bpm chamamos de taquicardia. Quando está abaixo dos 60 bpm, chamamos de bradicardia. As palpitações estão associadas normalmente às taquicardias.

As taquicardias são dividas entre sinusais e taquiarritmias. Vamos descrever rapidamente como funciona a atividade elétrica do coração para melhor entendermos esses dois tipos de taquicardia.

O QUE SÃO TAQUICARDIA SINUSAL E TAQUIARRITMIA?

No ápice do átrio direito, na ponta de cima do coração, encontra-se a fonte elétrica cardíaca, chamada de nodo sinoatrial (também chamado de nó sinusal ou nódulo sinusal). O nodo sinusal é uma espécie de marcapasso natural do coração e produz, em uma frequência regular, descargas elétricas que induzem a contração dos músculos cardíacos. Qualquer batimento cardíaco normal sempre se origina de um impulso elétrico originado neste nodo, por isso, chamamos o ritmo cardíaco normal de ritmo sinusal.



O caminho normal desta corrente elétrica segue primeiro para ambos os átrios e, depois, desce para os ventrículos. Esses impulsos elétricos são gerados a uma frequência média de 80 por minuto, podendo variar entre 60 e 100 bpm.

A atividade elétrica gerada pelo nodo sinusal é transmitida para o nodo atrioventricular e posteriormente para todo o músculo cardíaco através do feixe de His e das fibras de Purkinje (veja ilustração).

Toda vez que temos uma frequência cardíaca elevada devido a um aumento da frequência destes impulsos gerados no nodo sinusal, estamos diante de uma taquicardia sinusal. É o que ocorre, por exemplo, quando nos exercitamos ou tomamos um susto. É uma resposta normal e esperada do coração. Portanto, a taquicardia sinusal é apenas uma resposta natural do coração ao aumento da demanda de sangue e oxigênio pelos tecidos.

Quando temos impulsos elétricos vindos de outros pontos do coração que não o nodo sinusal, estamos diante de impulsos anômalos, caracterizando uma arritmia cardíaca. Se esses impulsos anômalos forem transmitidos com grande frequência para os ventrículos, levando a uma aceleração dos batimentos cardíacos, o resultado é uma taquiarritmia., ou seja, uma taquicardia causada por uma arritmia. As taquiarritmias podem chegar a 200 batimentos por minuto.

Na ilustração abaixo, podemos ver à esquerda um ritmo sinusal e à direita um tipo de arritmia cardíaca (neste caso uma fibrilação atrial), onde vários pontos diferentes do átrio geram impulsos elétricos ao mesmo tempo.



Reparem que neste exemplo temos uma arritmia sem taquicardia, pois apesar da grande produção de estímulos elétricos nos átrios, poucos são transmitidos para o ventrículos. Portanto, apesar da arritmia, o paciente mantém a frequência cardíaca entre 60 e 100 bpm.

Vamos fechar os conceitos:
– Taquicardia: coração com frequência acelerada (maior que 100 bpm).
– Bradicardia: coração com frequência lentificada (menor que 60 bpm).
– Ritmo sinusal: é o batimento cardíaco normal. Pode haver taquicardia sinusal ou bradicardia sinusal.
– Arritmia: ritmo cardíaco anômalo, não gerado pelo nodo sinusal. Pode existir taquiarritmia, bradiarritmia ou até arritmia com frequência normal (entre 60 e 100 bpm).

CAUSAS DE PALPITAÇÕES E ARRITMIAS


Diante de um quadro de palpitação, a primeira coisa a se fazer é tentar definir se trata-se de uma arritmia ou apenas um taquicardia sinusal.

Entra as causas comuns de palpitações por taquicardias sinusais podemos citar:

Quadros psiquiátricos como síndrome do pânico, distúrbios de ansiedade e depressão.
Anemia
Febre
Desidratação.
Exercício físico.
Estresse emocional (ex: final de campeonato ou uma apresentação em público).

Alguns fatores podem ser responsáveis por taquicardias sinusais, mas também por desencadear arritmias. São eles:
Consumo exagerado de cafeína.
Cocaína
Anfetaminas.
Hipertireoidismo
Hipoglicemia – queda na taxa de açúcar do sangue
Nicotina.

As arritmias cardíacas podem também ser geradas por defeitos na condução elétrica do coração, por quadros de isquemia do músculo cardíaco ou por insuficiência cardíaca.

A distinção entre taquicardia sinusal e taquiarritmias é feita através do eletrocardiograma (ECG). O grande problema é que grande parte das palpitações são intermitentes, e no momento do ECG elas podem já não estar mais presentes. Uma opção, então, é o Holter, que nada mais é do que uma máquina que registra o ECG durante 24 horas. Deste modo, consegue-se detectar qualquer arritmia que se manifeste neste período. Mais uma vez, existe o risco de não haver episódios de arritmias durante o período do exame, não sendo possível estabelecer o diagnóstico.

A importância de se determinar a causa das palpitações está no fato de que, apesar deste sintoma ser benigno na sua grande maioria dos casos, existem algumas alterações cardíacas que podem levar arritmias graves com risco de morte.

Existem 4 fatores na história clínica dos pacientes que apontam para etiologia cardíaca:

– Sexo masculino.
– Descrição pelo paciente de batimentos irregulares.
– História prévia de doença cardíaca como insuficiência cardíaca ou infarto.
– Duração da palpitação maior que 5 minutos.

Se você tem palpitações mas não apresenta nenhum dos fatores acima a chance dos seus sintomas ter origem em problemas cardíacos é muito pequena. Se tem os 4, é quase certo que tenha alguma arritmia cardíaca.

Deve-se salientar que mesmo aqueles que têm palpitações por arritmias cardíacas apresentam prognóstico favorável na maioria dos casos. Palpitações causadas arritmias malignas são a minoria. Mas como são muito graves, devem sempre ser descartadas.

Se você sente palpitações é importante colocar o dedo no próprio pulso e avaliar 2 dados. O primeiro é o ritmo cardíaco. O coração normal bate de modo regular, com intervalos de tempo iguais entre os batimentos. Se notar um ritmo irregular, é provável tratar-se de uma arritmia cardíaca. Atenção, porém, que nem toda arritmia se manifesta com um ritmo cardíaco irregular.

Ritmo regular:

tum…..tum…..tum…..tum…..tum…..tum…..tum…..tum…..tum…..tum….tum.

Ritmo irregular:

tum…..tum………tum..tum.tum……..tum…tum………tum……tum…..tum.tum.

Outro dado importante é a frequência cardíaca. Frequências maiores que 150 batimentos em repouso e na ausência de febre são quase sempre indicativas de arritmias, mesmo se houver um ritmo cardíaco regular. Em idosos, frequências maiores que 130 BPM já sugerem arritmias.

Existem vários tipos de arritmias, mas as mais comuns são a fibrilação atrial e a taquicardia supraventricular. A primeira é mais comum em idosos e a segunda em jovens.

TRATAMENTO DAS PALPITAÇÕES E ARRITMIAS


O tratamento das palpitações depende da causa. Se a palpitação for causada por um taquicardia sinusal e a sua origem for anemia. Basta corrigi-la. Se for febre, ela desaparecerá quando a temperatura corporal se normalizar. Se a taquicardia ocorre por distúrbios de ansiedade, o tratamento com o ansiolíticos costuma ser eficaz.

No caso de arritmias cardíacas, principalmente naqueles sem doença cardíaca prévia, o tratamento pode ser a ablação (destruição por cauterização) do foco elétrico anômalo. Em outros casos, pode-se lançar mão de alguns medicamentos para o controle da frequência cardíaca como, entre outros, a amiodarona e os beta-bloqueadores, este último, medicamentos também usados no tratamento da hipertensão.

Em casos de taquiarritmias graves que podem levar à parada cardíaca, chamada de arritmias malignas, pode ser necessária a colocação cirúrgica de um desfibrilador implantável, um aparelho que detecta estas arritmias e imediatamente lança um choque elétrico no coração, restabelecendo o ritmo cardíaco normal e abortando a parada cardíaca.



Fonte bibliográfica:
Todo conteúdo desta publicação foi retirado do link: http://www.mdsaude.com/2009/06/palpitacoes-taquicardia-e-arritmias.html

sexta-feira, 22 de abril de 2016

INFARTO DO MIOCÁRDIO: CAUSAS E PREVENÇÃO


Qual é o exato mecanismo que leva à morte de parte do músculo do coração? O que é uma angina de peito? Qual é a influência do colesterol em um quadro de infarto?
Neste texto vamos  responder a essas perguntas. Explicaremos também como surgem as obstruções das artérias coronárias e quais são as opções de tratamento para prevenir o infarto e a angina de peito.

ENTENDENDO OS TERMOS: ARTÉRIA CORONÁRIA, MIOCÁRDIO, ISQUEMIA E INFARTO

– As artérias que levam sangue para nutrir o miocárdio (músculos do coração) são chamadas de artérias coronárias. Nosso coração é vascularizado por duas artérias coronárias: artéria coronária esquerda e artéria coronária direita, que se ramificam inúmeras vezes de modo a cobrir todo o músculo cardíaco.
– Infarto significa morte (necrose) de um tecido por falta de suprimento sanguíneo. Muita gente associa imediatamente a palavra infarto ao infarto do miocárdio, mas o infarto pode ocorrer em qualquer tecido ou órgão do corpo que sofra uma interrupção de seu aporte sanguíneo, como infarto cerebral, infarto pulmonar ou infarto intestinal, por exemplo.
O infarto do miocárdio, que é a necrose de uma parte do músculo cardíaco, ocorre quando uma das artérias coronárias, ou suas ramificações, sofrem uma obstrução, fazendo com que o aporte de sangue para uma determinada região do coração torne-se insuficiente.
Antes de seguirmos em frente com o texto, é preciso entender mais um conceito: a diferença entre infarto e isquemia.
– Isquemia é o é um estado pré-infarto, quando um tecido está recebendo menos sangue que o necessário, mas suficiente para ele não entrar em necrose. Quando há uma isquemia, o tecido que está sofrendo irá morrer se o fluxo de sangue não for rapidamente restabelecido.
Um tecido isquêmico é um tecido em sofrimento, sob iminente risco de necrosar, enquanto que um tecido infartado é um tecido já morto, sem chances de recuperação.
Bom, entendidos estes conceitos, vamos então explicar por que uma artéria coronária pode ficar obstruída causando isquemia ou infarto do miocárdio.

COMO OCORRE O INFARTO DO MIOCÁRDIO

Todo mundo já ouviu falar que o colesterol alto é um fator de risco para o infarto do miocárdio, o que é verdade, pois o excesso de colesterol no sangue faz com que placas de gordura se depositem nos vasos sanguíneos, um processo chamado de aterosclerose.
As placas de gordura ocupam espaço dentro do vaso, fazendo que o fluxo sanguíneo fique reduzido. Esse acúmulo de gordura nos vasos é assintomático até fases bem avançadas. Os sintomas só começam a surgir quando mais de 70-80% de uma artéria encontra-se obstruída. Esta ausência de sintomas até fases tardias ocorre por dois motivos: 1- quando estamos em repouso o coração não necessita de um fluxo muito elevado de sangue; 2- quando necessário, as artérias conseguem dilatar aumentando temporariamente o fluxo sanguíneo que passa por elas.
Todavia, quando a obstrução começa a ficar muito grande, a artéria já não consegue se adaptar e a quantidade de sangue que chega ao músculo cardíaco passa a ser suficiente apenas quando o paciente está em repouso, tornado-se insuficiente quando o coração acelerar e precisa de um maior aporte de sangue. Neste momento surge a angina de peito, que é a dor causada pela isquemia do músculo cardíaco.
Tipicamente a angina é uma dor no peito que surge durante um esforço físico ou estresse emocional, momentos em que o músculo cardíaco exige um maior aporte de sangue. Portanto, a angina é o sintoma de uma isquemia que surge devido a incapacidade da artéria coronária parcialmente obstruída em fornecer este fluxo extra de sangue que o coração demanda. Outra característica da angina é a sua melhora após alguns minutos de repouso. Quando o coração desacelera, passa a demandar menos sangue e a isquemia desaparece. 
O infarto surge quando a obstrução da artéria coronária é completa, fazendo com que o aporte de sangue para o músculo seja nulo, ou tão baixo que o mesmo não consiga ser suficiente nem para o funcionamento mínimo do coração. Ao contrário do que vocês possam estar pensando, o infarto não ocorre, normalmente, por um crescimento progressivo das placas de gordura que vão lentamente fechando a artéria. Isto até pode ocorrer em alguns casos, mas o infarto é, na maioria das vezes, um evento súbito que ocorre após uma rápida obstrução da artéria coronária por um coágulo. Explico.


 Reparem na imagem abaixo.

Normalmente as placas de gordura ficam bem aderidas à camada interna das paredes dos vasos, crescendo lentamente ao longo do tempo. Eventualmente, porém, essas placas podem sofrer uma lesão pela passagem constante do sangue, fazendo com que surja uma pequena rachadura. Este é o momento crítico do infarto; o organismo interpreta essa rachadura na placa de colesterol como se fosse uma rachadura na parede do vaso. O resultado desta má interpretação é a ativação dos fatores de coagulação que se dirigem para o local da lesão com o objetivo de formar um coágulo e impedir que a suposta lesão na parede do vaso rompa e cause um sangramento. Passamos, então, a ter uma artéria coronária, que previamente já tinha cerca de 70% da sua luz obstruída pela placa de gordura, com a presença de um coagulo, o que acaba por obstruir rapidamente os 30% de espaço que ainda permitiam a passagem do sangue.

A gravidade do infarto depende da artéria que encontra-se obstruída e, principalmente, da extensão da área de músculo cardíaco necrosado. O infarto fulminante é aquele que acomete uma porção tão grande do coração, que o mesmo torna-se insuficiente para bombear o sangue para o resto do corpo. Outra possibilidade é um infarto que cause instabilidade da atividade elétrica cardíaca, causando arritmias cardíacas graves 

PREVENÇÃO DO INFARTO

Sabendo-se que o infarto é causado pelo acúmulo de gordura nas artérias e pela formação de um coagulo em cima desta placa, podemos lançar mão de algumas ações na tentativa de prevenir a doença isquêmica cardíaca.
Vamos falar um pouco de como se pode tentar reduzir a aterosclerose e o risco de lesão nas placas de gordura dos vasos.
– Parar de fumar: fumantes apresentam uma aterosclerose até 50% maior que não fumantes, fazendo com que o colesterol não só adira mais facilmente às paredes das artérias, como também cresça mais rapidamente. O cigarro também causa uma inflamação dos vasos, facilitando a rotura das placas e a formação de coágulos. Por último, a nicotina tem um efeito vasoconstrictor, impedindo que as artérias se dilatem quando necessário para aumentar o fluxo de sangue.
– Controlar a pressão arterial: o ideal é procurar manter a pressão arterial abaixo de 130/80 mmHg, com emagrecimento, controle do sal na dieta e uso de medicamentos, se necessário.
– Controlar o colesterol: níveis de HDL (colesterol bom) baixos e/ou LDL (colesterol ruim) elevados estão associados a um maior risco de doença coronariana. Dieta e controle do peso ajudam, mas muitas vezes é necessário recorrer a medicamentos para se conseguir reduzir satisfatoriamente o colesterol. As estatinas, principal grupo de drogas para o controle da dislipidemia, também parece aumentar a estabilidade da placa gordurosa, reduzindo o risco de lesões da mesma.
– Dieta controlada: indica-se uma dieta pobre em gorduras saturadas e rica em fibras, vegetais e frutas. Dê preferência à carne de peixe.
– Atividade física regular: 30 minutos de caminhada diariamente são suficientes para reduzir o risco de doença coronariana.
– Controle do diabetes: o diabetes é um dos principais fatores de risco para doença cardiovascular. Um bom controle dos níveis de glicose no sangue está associado a uma grande redução na taxa de mortalidade.
– Evitar a obesidade: Pessoas obesas (IMC maior que 30 kg/m2) têm duas vezes mais chances de desenvolver doenças cardiovasculares que a população sem excesso de peso. A obesidade também aumenta o risco de hipertensão, dislipidemia (colesterol alto) e diabetes, fatores de risco para doença coronária, como expostos acima.

ASPIRINA PARA PREVENIR INFARTO

A aspirina (ácido acetilsalicílico) é uma droga que em doses baixas é capaz de inibir a ação das plaquetas, as células do sangue que iniciam o processo de coagulação. Deste modo, diminui-se a formação de coágulos quando um placa gordura sofre lesão. A aspirina reduz o risco de infarto em pacientes que possuem alguns fatores de riscos. Toda vez que o cardiologista, através da avaliação clínica, encontrar dados que sugiram que o paciente apresenta um risco maior do que 10% de chance de infarto nos próximos 10 anos, a prescrição da aspirina está indicada. A dose sugerida é entre 75 e 325 mg/dia.



Fonte bibliográfica:
Todo conteúdo desta publicação foi retirado do link:http://www.mdsaude.com/2010/11/infarto-miocardio-causas-tratamento.html