Conheça
as doenças cardiovasculares mais comuns e o que pode fazer para evitá-las. A
importância da luta contra as doenças cardiovasculares é ilustrada pelos fatos
seguintes:
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Devem-se essencialmente à acumulação de gorduras na
parede dos vasos sanguíneos – aterosclerose – um fenômeno que tem início numa
fase precoce da vida e progride silenciosamente durante anos, e que
habitualmente já está avançado no momento em que aparecem as primeiras
manifestações clínicas.
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As suas consequências mais importantes – o enfarte
do miocárdio, o acidente vascular cerebral e a morte – são frequentemente
súbitas e inesperadas.
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A maior parte das doenças cardiovasculares resulta
de um estilo de vida inapropriado e de fatores de risco modificáveis.
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O controlo dos fatores de risco é uma arma potente
para a redução das complicações fatais e não fatais das doenças
cardiovasculares.
O que são as doenças cardiovasculares?
De um modo geral, são o conjunto de doenças que afetam o
aparelho cardiovascular, designadamente o coração e os vasos sanguíneos.
Quais são os fatores
de risco?
A idade e a história familiar
encontram-se entre as condições que aumentam o risco de uma pessoa vir a
desenvolver doenças no aparelho cardiovascular. Contudo, existe outro conjunto
de fatores de risco individuais sobre os quais podemos influir e modificar e
que estão, sobretudo, ligados ao estilo e ao modo de vida atual.
- Tabagismo
Considerado o fator de risco
mais importante na União Européia, estando relacionado à cerca de 50% das
causas de morte evitáveis, metade das quais devido à Aterosclerose.
Os efeitos nocivos do tabaco
são cumulativos, quer no que se refere ao seu consumo diário quer ao tempo de
exposição. O risco aumenta quando a exposição se inicia antes dos 15 anos de
idade, em particular para as mulheres, uma vez que o tabaco reduz a proteção
relativa aparentemente conferida pelos estrogênios. As mulheres que recorrem à
anticoncepção oral (toma da pílula) e que fumam estão sujeitas a um maior risco
de acidente cardiovascular: por exemplo, o risco de enfarte do miocárdio
aumenta de seis a oito vezes.
O tabagismo é, sem dúvida, um
risco cardíaco. Os fumadores de mais de um maço de cigarros por dia têm quatro
vezes mais enfartes do miocárdio do que os não fumadores. Contudo, até o fumo
de poucos cigarros por dia – tabagismo ligeiro – aumenta o risco de enfarte do
miocárdio: o fumo de apenas um a cinco cigarros por dia aumenta o risco de 40%.
Os não fumadores, quando têm enfartes, têm-nos dez anos mais tarde que os
consumidores de tabaco. O tabagismo favorece o aparecimento da Angina de Peito,
do Enfarte do Miocárdio e da Doença Arterial Periférica, e pode levar,
inclusive, à morte. O risco de acidente vascular cerebral também aumenta nos
fumadores de modo proporcional ao número de cigarros fumados por dia.
O consumo de charutos e o fumo
de cachimbo também aumentam o risco de enfarte do miocárdio. O mesmo se aplica
ao fumo de cigarros com filtro, fumo de cigarros "leves" e ao fumo
sem inalação. Os não fumadores que vivem ou trabalham com fumadores, chamados
fumadores passivos, estão também sujeitos aos malefícios do tabaco.
A cessação do hábito tabágico
é isoladamente a medida preventiva mais importante para as doenças cardiovasculares.
- Sedentarismo
A inatividade física é hoje
reconhecida como um importante fator de risco para as doenças cardiovasculares.
Embora não se compare a fatores de risco como o tabagismo ou a hipertensão
arterial, é importante na medida em que atinge uma percentagem muito elevada da
população, incluindo adolescentes e jovens adultos.
A falta de prática regular de
exercício físico moderado potencia outros fatores de risco susceptíveis de
provocarem doenças cardiovasculares, tais como a hipertensão arterial, a
obesidade, a diabetes ou a hipercolesterolemia.
- Diabetes Mellitus e obesidade
Os riscos de um acidente
vascular cerebral ou do desenvolvimento de outra doença cardiovascular aumentam
com o excesso de peso, mesmo na ausência de outros fatores de risco. É
particularmente perigosa uma forma de obesidade designada obesidade abdominal
que se caracteriza por um excesso de gordura principal ou exclusivamente na
região do abdômen. A obesidade abdominal está associada a um maior risco de
desenvolvimento de diabetes e doenças cardiovasculares.
- Maus hábitos alimentares
Está hoje provado que a
alimentação constitui um factor na protecção da saúde e, quando desequilibrada,
pode contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, entre
outras. Por isso, o excesso de sal, de gorduras, de álcool e de açúcares de
absorção rápida na alimentação, por um lado, e a ausência de legumes, vegetais
e frutos frescos, por outro, são dois factores de risco associados às doenças
cardiovasculares. Para ser saudável, a alimentação deve ser variada e
polifraccionada (muitas refeições ao longo do dia).
- Hipercolesterolemia
Manifesta-se quando os valores
do colesterol no sangue são superiores aos níveis máximos recomendados em
função do risco cardiovascular individual. O colesterol é indispensável ao
organismo, quaisquer que sejam as células orgânicas que necessitem de
regenerar-se, substituir-se ou desenvolver-se. No entanto, valores elevados são
prejudiciais à saúde.
Há dois tipos de colesterol. O
colesterol HDL (High Density Lipoproteins), designado por “bom colesterol”, é
constituído por colesterol retirado da parede dos vasos sanguíneos e que é
transportado até ao fígado para ser eliminado. O colesterol LDL (Low Density
Lipoproteins) é denominado “mau colesterol”, porque, quando em quantidade
excessiva, ao circular livremente no sangue, torna-se nocivo, acumulando-se
perigosamente na parede dos vasos arteriais. Quer o excesso de colesterol LDL,
quer a falta de colesterol HDL, aumentam o risco de doenças cardiovasculares,
principalmente o enfarte do miocárdio.
- Hipertensão Arterial
Situações em que se verificam
valores de pressão arterial aumentados. Para esta caracterização, consideram-se
valores de pressão arterial sistólica (“máxima”) superiores ou iguais a 140 mm
Hg (milímetros de mercúrio) e/ou valores de pressão arterial diastólica
(“mínima”) superiores ou iguais a 90 mm Hg. Contudo, nos doentes diabéticos,
porque a aterosclerose progride mais rapidamente, considera-se haver
hipertensão arterial quando os valores de pressão arterial sistólica são
superiores ou iguais a 130 mm Hg e/ou os valores de pressão arterial diastólica
são superiores ou iguais a 80 mm Hg.
Com frequência, apenas um dos
valores surge alterado. Quando apenas os valores da “máxima” estão alterados,
diz-se que o doente sofre de hipertensão arterial sistólica isolada; quando
apenas os valores da “mínima” se encontram elevados, o doente sofre de
hipertensão arterial diastólica. A primeira é mais frequente em idades
avançadas e a segunda em idades jovens.
A hipertensão arterial está
associada a um maior risco de doenças cardiovasculares, particularmente o
acidente vascular cerebral.
- Stress excessivo
O stress é
inevitável enquanto vivemos, sendo uma consequência do ritmo de vida atual. É
difícil definir com exatidão o stress porque os fatores diferem de pessoa para
pessoa. No entanto, a sensação de descontrolo é sempre prejudicial e pode ser
um sinal para abrandar o ritmo de vida.
Quais são as
formas de prevenção das doenças cardiovasculares?
É possível reduzir o risco de
doenças cardiovasculares através da adoção de um estilo de vida mais saudável:
- Deixe de fumar;
- Controle regularmente a sua pressão arterial,
o seu nível de açúcar e gorduras no sangue;
- Tenha uma alimentação mais saudável,
privilegiando o consumo de legumes, vegetais, fruta e cereais;
- Pratique exercício físico moderado com
regularidade;
- A partir de uma determinada idade (50 anos
para as mulheres e 40 anos para os homens) é aconselhável a realização de
exames periódicos de saúde;
- A prevenção deve começar mais cedo para os
indivíduos com história familiar de doença cardiovascular precoce ou morte
súbita.
Quais são as
doenças mais comuns?
A pressão arterial elevada, a
doença das artérias coronárias e a doença cerebrovascular são exemplos de
doenças cardiovasculares.
- Aterosclerose: presença de certos depósitos na
parede das artérias, incluindo substâncias gordas, como o colesterol e
outros elementos que são transportados pela corrente sanguínea. A
aterosclerose afecta artérias de grande e médio calibre, sendo a causa dos
Acidentes Vasculares Cerebrais e da Doença das Artérias Coronárias.
É uma doença lenta e progressiva e pode iniciar-se ainda durante a infância. Contudo, regra geral, não causa qualquer sintomatologia até aos 50/70 anos, embora possa atingir adultos jovens (30/40 anos), principalmente se forem fumadores intensivos; - Cardiopatia Isquémica: termo utilizado para
descrever as doenças cardíacas provocadas por depósitos ateroscleróticos
que conduzem à redução do Iúmen das artérias coronárias. O estreitamento
pode causar Angina de Peito ou Enfarte de Miocárdio, se em vez de redução
do Iúmen arterial se verificar obstrução total do vaso;
- Doença Arterial Coronária: situação clínica em
que existe estreitamento do calibre das artérias coronárias, provocando
uma redução do fluxo sanguíneo no músculo cardíaco.
Como se faz o
diagnóstico?
Mediante o quadro clínico
apresentado pelo doente, as suas queixas, o seu histórico médico, bem como os fatores
de risco a ele associados, o médico de família pedirá os exames médicos
complementares/auxiliares, que lhe permitam fazer o diagnóstico e/ou enviar o
doente para um especialista (cardiologista).
Contudo, há alguns sintomas
que podem constituir sinais de alerta, principalmente em pessoas mais idosas:
- Dificuldade em respirar - pode ser o indício
de uma doença coronária e não apenas a consequência da má forma física,
especialmente se surge quando se está em repouso ou se nos obriga a
acordar durante a noite;
- Angina de peito – quando, durante um esforço
físico, se tem uma sensação de peso, aperto ou opressão por detrás do
esterno, que por vezes se estende até ao pescoço, ao braço esquerdo ou ao
dorso;
- Alterações do ritmo cardíaco;
- Enfarte do miocárdio - é uma das situações de
urgência/emergência médica cardíaca. O sintoma mais característico é a
existência de dor prolongada no peito, surgindo muitas vezes em repouso.
Por vezes, é acompanhada de ansiedade, sudação, falta de força e vômitos.
- Insuficiência cardíaca - surge quando o
coração é incapaz de, em repouso, bombear sangue em quantidade suficiente
através das artérias para os órgãos, ou, em esforço, não consegue aumentar
a quantidade adicional necessária. Os sintomas mais comuns são a fadiga e
uma grande debilidade, falta de ar em repouso, distensão do abdômen e
pernas inchadas.
Fonte:
http://www.portaldasaude.pt/portal/conteudos/enciclopedia+da+saude/ministeriosaude/doencas/doencas+do+aparelho+circulatorio/doencascardiovasculares.htm
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